Com este artigo pretendo dar umha opinião pessoal como naturalista, em sentido amplo, livre de qualquer colectivo e baseando-me em referências que se podem contrastar, sobre o proxecto da macrocelulosa na região da Ulhoa e que afectará a umha grande parte da Galiza.
Tratarei de ser conciso e, de certo, faltará muito por se dizer.
Desculpem quem não concordar, mais é para abrir reflexão, consciência, apoio e/ou debate.
Eis cá, em resumo:
Algúns aspectos negativos no campo ambiental e natural:
*Consumo de auga em grandes cantidades para a actividade industrial, com o correspondente impacto das infraestruturas de abastecemento de auga.
*Ainda que a depuração da auga residual for relativamente eficiente há que ter em conta os vertidos pontuais, mesmo por acidentes, erros técnicos ou mesmo circunstâncias meteorológicas. Aos antecedentes em Portugal me remitir, entre outros.
*O enclave afecta directamente a umha zona natural de especial importância: fauna, flora, paisagem e ecosistemas.
*O impacto afecta directa ou indirectamente a outras zonas naturais de especial importância, é exemplo: rio Ulha ou ria de Arousa.
*Directa ou indirectamente afectará à proliferação de eucaliptos nos montes e terreos, comunais ou privados, por mor de valorização desse tipo de silvicultura. Com isto vera-se reducida a superfície de espécies do bosque atlântico/mata atlântica europeia, com o conhecido risco de incêndios florestais por ser o eucalipto uma espécie pirófita (remito-me a todos os dados e artigos científicos conhecidos sobre este tema).
*Ocupação do território por umhas infrastruturas que, ainda que a actividade económica dure muitos anos, seria incomparável ao uso desse mesmo território ao longo dos séculos, pois por muito bem que se recuperar esse entorno nunca máis seria igual ao existente.
*Gases e cheiros derivados da produção industrial. Ter em conta a dinâmica desses fluidos e a sua dispersão na atmosfera.
*Outros se calhar menos perceptíveis: aumento do tránsito rodoviário, ruídos ou molestias à fauna em época de reprodução por exemplo, fragmentação do território por presença de médios físicos, maior pressão humana, etc.
Algúns aspectos negativos no campo social, incluído o patrimonial e o de saúde pública:
*Perda de formas de vida e postos de trabalho ligados ao campo, à ganadaria, ao turismo rural, à elaboração de produtos biológicos, e outros similares de sustentabilidade ambiental e social.
*Impacto muito negativo no Caminho de Santiago.
*Perda de identidade por modificação dos usos tradicionais milenários do território e outros.
*Confrontação social. Esta já está a se realizar: por um lado entre partidários e detractores do projecto; por outro entre diferentes ideleogias políticas: esquerdas e direitas; outra entre governos (central vs. autonómico) e oposição; e mesmo entre diferentes linhas de pensamento: infinidade delas.
*Perda de calidade de vida por estes impactos sociais e pelos impactos da parte ambiental e natural.
*Os efectos negativos sobre a psique das persoas, entre outras a sensação de forte angustia ao não reconhecerem umha paisagem que está fortemente alterada e com a cal se tiver um estreito vínculo afectivo.
*Outros efectos, algúns não são fáciles de relacionar mas que aí estão, sobre todo os que tenham a ver com a saúde, aqui os especialistas independentes teriam muito a nos dizer.
Aspectos positivos:
*Pido desculpas, mas como só são um naturalista amador e não sou economista, sociólogo, político, nem administrador público, não posso aportar ningum dado nestes campos. Não entendo nem de PIB, nem de estratégias económicas, nem de gestão pública. O meu ponto de vista é simplesmente de um cidadão sensibilizado com o médio natural e social desde um conhecemento naturalista e, dentro de este, a humanidade.
*Pela parte ambiental e natural sim que lhes posso dizer que tratando de ver algúm aspecto positivo não encontro ningum, nem sequer se no caso houver alguma compensação social pelos efeitos negativos que se vão a sofrer, que, em princípio, não parece haver.
Antes de rematar só dizer o meu parecer, dirigido em especial à opinião pública portuguesa, no tocante ao lema desta reivindicação: "Altri Non". Acredito mesmo que o motivo deste lema não é por esta empresa ser portuguesa, é por ser uma empresa como outra qualquer, e, tocou-lhe a esta, embora o lema puder haver sido "Greenalia Non", mas parece que se afianzou entre os vizinhos o de "Altri Non", se calhar por melhor sonoridade. Isto não é contra ninguém, é contra algo. Só isso.
Acabo com um provérbio que me acabam de contar dumha tribo de nativos canadianos. É o seguinte:
"Se é sobre mim, não sem mim."
Muito obrigado a quem interessar, para bem ou para mal, e sorte a todos!